quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A vida


Você constrói, ajeita, arruma, modela, olha, pende a cabeça para um lado, para o outro, olha com um olho só, acerta mais uma vez, dá dois passos pra trás, agacha, imagina uma melhora, mexe novamente, dá outros dois passos para trás, volta, dá uma volta e, satisfeito, contempla e arrisca um leve sorriso de satisfação.  Contudo, num simples descuido inocente, esbarra uma criança sorridente e descompromissada e derruba e embaralha todo seu esforço. A vida é a criança!

Continho ou Contito


Hoje resolvi encher-me de mim mesmo. Vou deixar de lado todos os outros eus aglutinados a mim (será que consigo?) e destilar minha entranhas psicossociais, se é que sei o que isso quer dizer.

Vou falar o que penso e o que não penso, mas que pensarei na horinha só pra demonstrar que posso e sei pensar em algo para opinar.
Estou pronto pra me levantar. O teto alvamente branco me dá uma visão behaviorista deste meu novo eu que acaba de fecundar (o sêmen do conhecimento se uniu ao óvulo da necessidade - ou ócio?).
De repente, não mais que de repente, me descuido e olho -sem querer, eu juro- para o calendário (maldito), acomodado estrategicamente ao lado do relógio - que coisa, justo esses dois! Eles me lembram de  que hoje é domingo, 09:57h.
Puxa vida, acho que vou dormir só mais um pouquinho. Trabalhei tanto essa semana. Mas...amanhã! De amanhã não passa! Começarei esse meu... projeto. É, meu projeto! Ah, começarei - outra vez- aquele meu regime. Clarice e Virgínia me ajudem.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

O fim.


Quanto sentimento deu forma às linhas em seu rosto, meu senhor?
E quantos calos o trabalho lhe deixou?
Quantas pessoas esses seus olhos cansados já viram partir?
Qual caminho percorreram essas suas pernas vacilantes?
Valeu a pena? Tem algum prazer na obra de sua criação?
Não há mais planos, meu bom velho, só há memórias distorcidas e nostalgia e paz.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Saudade


Hoje, todo verso de saudade tem seu nome.
E eu sinto sua falta.
Do cheiro de café pela casa,
Do assento quente no sofá,
Da presença de um sussurro qualquer,
Ou de um riso ecoando ao fundo.
De acordar e sentir-me nós.
Sinto falta até de só encontrar meu chinelo no seus pés!
Hoje, todo verso de saudade tem seu nome.
E eu sinto tanta falta de você...


Passo a passo


Pelo caminho, só se vê a cor ressecada de fim do inverno... e ipês!
Brancos, rosas, amarelos. Todos eles colorindo de esperança o vasto campo seco.

Olho para trás e os vãos das pegadas se perderam nos becos da memória.
São as areias do tempo em seu eterno e sagrado ofício.

Passo a passo.
Passo a passo.
Colho as flores que plantei no meu jardim.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Tempo - parte 1


O passado presente;
A angústia que não passa;
O sangramento que não estanca;
A ferida que insiste em não sarar;
A dor que renasce todo dia com o cantar do galo.
São os traumas que ainda hoje decidem,
são os traumas que ainda hoje sussurram:
revivam-nos...